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Isabelle: Ressaca da Paixão

Capítulo 005 – Ressaca da Paixão


 Ressaca da Paixão
 Ressaca da Paixão

  O sol mexicano, sempre tão caloroso e convidativo, parecia agora um holofote indiscreto, implacável, sobre a cabeça latejante de Isabelle. Ela acordou com a sensação de ter sido transportada para um cenário de filme antigo, um vilarejo esquecido na periferia de alguma cidade do interior do México, e o pior: em uma cama que definitivamente não era a sua. Ao seu lado, um homem forte e bonito dormia profundamente, a respiração calma contrastando com o turbilhão em sua mente. As lembranças da noite anterior começaram a pipocar em sua memória como flashes de uma câmera indiscreta, fragmentos de uma aventura que ela mal conseguia montar.

 

Isabelle, com a discrição de uma gata e a agilidade de uma espiã em missão secreta, começou a se vestir. Cada peça de roupa que voltava ao seu corpo trazia consigo um fragmento da memória, um cheiro, uma sensação. A casa noturna insalubre, a música pulsante que ainda ressoava em seus ouvidos, ela mesma, Isabelle, dançando em cima do palco com uma liberdade que só o álcool e a atmosfera mexicana podiam proporcionar. E então, ele. O homem ao seu lado. A fantasia de couro, a máscara que parecia um Zorro, a dança que se transformou em um convite irrecusável, em um jogo de sedução que ela, Isabelle, havia orquestrado. "Me leva…", ela se ouvia repetir em sua mente, com uma insistência que agora a fazia corar. "Me leva para a sua casa…".

 

Um sorriso travesso brincou em seus lábios. O melhor da festa, ela não lembrava. E isso, para Isabelle, era um misto agridoce de frustração e pura comédia. Ela não sabia se ficava triste por ter perdido os detalhes mais "calientes" de sua noite de conquista ou feliz por ter vivido algo tão intenso que sua mente, em um ato de autopreservação ou talvez de puro drama, preferiu censurar. Era a vida imitando a arte, ou melhor, a vida imitando uma produção de novela adulta, com seus cortes estratégicos e suas elipses narrativas.

 

O homem ao seu lado começou a despertar, um movimento lento e preguiçoso que fez o coração de Isabelle dar um salto. Isabelle, sempre a protagonista de sua própria novela, decidiu que a saída dramática era a melhor opção. Mas antes de desaparecer como uma miragem, a curiosidade, sua eterna companheira, falou mais alto. "Qual o seu nome?", ela sussurrou, com um charme que nem a ressaca conseguia apagar, a voz rouca de quem acabara de acordar. Ele, com uma voz ainda mais rouca e sensual, que fez um arrepio percorrer a espinha de Isabelle, respondeu: "Diego. Diego Dela Viga." Ela agradeceu com um risinho cúmplice, um aceno de cabeça que prometia futuros encontros, e, com um último olhar para o galã mascarado de sua noite, partiu, deixando para trás um rastro de mistério e perfume.

 

A vila mexicana parecia ter saído de um episódio do Chaves, com suas cores vibrantes, o burburinho matinal dos vendedores e o cheiro de tortillas frescas no ar. Isabelle caminhou, sentindo o cheiro de álcool ainda impregnado em suas roupas, uma lembrança tangível de sua aventura noturna. Chegou ao hotel, pronta para se refugiar em seu quarto, buscando a escuridão e o silêncio. Mas o destino, sempre com um senso de humor peculiar, a colocou novamente diante de seus "amigos": Paulo e Héctor, sentados à mesa do café da manhã, como se nada tivesse acontecido.

 

Isabelle hesitou. Não estava arrumada, o cabelo um pouco despenteado, o cheiro de álcool era inegável. Sentar-se ali seria como anunciar em alto e bom som sua noite de "liberdade", sua aventura com o Zorro mexicano. Com um suspiro dramático, ela se virou e foi direto para o quarto, buscando o refúgio de sua cama para um sono reparador, um momento de paz antes que a próxima cena de sua novela se desenrolasse.

 

A noite chegou, e com ela, a energia renovada de Isabelle. Um banho quente, uma maquiagem impecável e um vestido que realçava suas curvas a fizeram sentir-se pronta para qualquer coisa. Ela desceu para aproveitar o hotel, e lá estavam eles novamente, o "casal de amigos", Paulo e Héctor, na sala de estar, em uma conversa animada. A conversa fluiu, e eles mencionaram que esperavam mais uma pessoa. Paulo se ausentou para ir ao banheiro, e Isabelle viu sua chance. O palco estava montado.

 

Com um olhar que prometia mil e uma aventuras, Isabelle se lançou em uma conversa "caliente" com Héctor. Ela flertava, insinuava, com um sorriso que era pura malícia. Héctor, visivelmente tenso, olhava para a porta do banheiro a cada dois segundos, temendo o retorno de Paulo, sua ambiguidade transparecendo em cada gesto. Isabelle, com sua autoconfiança inabalável, fez fortes investidas, pedindo o número de WhatsApp dele. O problema? Não tinha onde anotar. Héctor, com a voz embargada, ditou o número rapidamente, quase um sussurro. Isabelle, com uma concentração digna de uma espiã em missão, escutou cada dígito e o memorizou, gravando-o em sua mente como um código secreto. No exato momento em que Paulo retornou, a conversa mudou drasticamente, como se nada tivesse acontecido, um corte de cena perfeito.


E então, a porta se abriu. O homem que eles esperavam entrou, e o coração de Isabelle deu um salto. Era Diego Dela Viga, o dançarino mascarado de sua noite selvagem! Diego, por sua vez, ficou visivelmente surpreso ao vê-la ali, um sorriso malicioso se formando em seus lábios. Ele não perdeu tempo, lançando cantadas e olhares que prometiam mais do que uma simples dança, uma nova aventura. Isabelle, em um movimento digno de uma protagonista de novela, "se atirou" para Héctor, buscando refúgio, um escudo contra a intensidade de Diego. Héctor, por sua vez, tentou se esconder atrás de Paulo, uma cena que seria cômica se não fosse tão dramática para Isabelle, que se via no centro de um triângulo amoroso inesperado.

 

Dividida entre a surpresa da presença de Diego e a ambiguidade de Paulo, Isabelle conseguiu se desvencilhar e correu para o banheiro, buscando um momento para respirar e organizar seus pensamentos, sua mente fervilhando com as possibilidades. Quando voltou, a sala estava vazia. Os três haviam ido embora, deixando-a sozinha com seus pensamentos e a frustração.

 

Isabelle, ainda meio nervosa com a situação embaraçosa, tentou lembrar o número de WhatsApp de Héctor para anotá-lo em seu celular. Mas, para seu desespero, a memória a traiu. O número se foi, evaporou como um sonho de verão, como uma melodia esquecida. Uma onda de raiva de si própria a invadiu. Como pôde esquecer o número de seu grande amor mexicano? Aquele que ela havia memorizado com tanta dedicação!

 

Desanimada, Isabelle foi ao balcão e pediu uma cerveja para acalmar os nervos. Ela tinha que viajar no dia seguinte e ainda não havia conseguido ter seu "grande dia" com Héctor. A frustração era palpável, um peso em seu peito.

 

Mas Isabelle não era de desistir. Com uma nova dose de coragem (e talvez um pouco de cerveja), ela foi à recepção. Por sorte, não era o mesmo atendente do dia anterior. Isabelle, com sua lábia de protagonista, tentou primeiro o suborno, oferecendo "migalhas e moedas", um gesto quase cômico. O atendente, um profissional inabalável, negou. Então, ela elevou a aposta: ofereceu seu próprio número em troca do de Héctor. O atendente hesitou, com um receio visível. Isabelle, então, jogou sua cartada final: prometeu "foto de agora". Ela abriu um pouco o decote, com um olhar que prometia mundos, e sussurrou sobre uma foto "saindo do banho". O atendente, finalmente seduzido pela proposta irrecusável, cedeu e aceitou trocar os números.

 

Isabelle voltou para o quarto, radiante, sentindo-se a própria heroína de um filme de espionagem romântica. Ao olhar o celular, duas mensagens a aguardavam: uma do atendente e outra de Diego. Ambas diziam apenas "Oi". Isabelle, com um sorriso de satisfação, decidiu que a melhor forma de celebrar sua vitória era um banho relaxante. Com o chuveirinho quente acariciando seu corpo, ela se permitiu sonhar com Héctor, com os próximos capítulos de sua novela. Ao sair do banho, relaxada e feliz, deitou-se na cama e fez o que deveria ser feito naquela noite "caliente": dormiu como uma princesa, sonhando com os próximos capítulos de sua novela, que prometiam ser ainda mais emocionantes.

 
 
 

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